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Economia Viva 2017 – Caminhos para o desenvolvimento da África

“Qual o caminho para o desenvolvimento africano?” Foi o nome da sessão do Economia Viva 2017 organizada pelo Nova Economics Club, a Nova Students ‘Union e o centro de conhecimento NOVAFRICA. A sessão foi moderada por Ana Paula Gomes e o painel de falantes foi composto por Maria Hermínia Cabral, Miguel Silvestre, Paula Barros, Patrícia Maridalho e Pedro Vicente.

Foi uma sessão emocionante, pois cada orador adicionou uma perspectiva única ao debate. A discussão variou de uma perspectiva macro, em que foram discutidas orientações gerais para as agências de desenvolvimento, para impactar as avaliações das ações específicas tomadas por essas agências. Para aqueles que não puderam se juntar a nós, alguns dos destaques da discussão são apresentados abaixo.

A sessão começou com algumas estatísticas sobre o continente africano. Este foi o caminho escolhido pela Maria Hermínia Cabral, porta-voz da Fundação Calouste Gulbenkian, para apresentar a situação atual em África, bem como os últimos desenvolvimentos. Ficou claro que discutir um continente como um todo pode, por si só, ser um obstáculo ao seu desenvolvimento. Cada país oferece pistas para o desenvolvimento de todo o continente. No entanto, a diversificação da economia, a industrialização verde e a urbanização sustentável foram mencionadas como medidas concretas para o desenvolvimento em todas as nações. Além disso, enfatizou-se que qualquer tipo de ação de desenvolvimento deve ser planejada para não promover a corrupção na sociedade africana.

A seguinte apresentação centrou-se na relevância da África, mais especificamente da África subsaariana, para Portugal. Miguel Silvestre, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, falou sobre três pilares do desenvolvimento: diplomacia, desenvolvimento e segurança. A importância da paz e da segurança para o desenvolvimento africano foi assim introduzida na discussão. Foi dada especial atenção à construção de mecanismos que permitam uma detecção precoce de conflitos, de modo que ações preventivas possam ser implementadas para evitá-las. A democracia, a governança e os direitos humanos também foram mencionados como importantes caminhos para o desenvolvimento.

O Instituto Camões foi representado por Paula Barros, que introduziu a idéia de cooperação na discussão. Destacou a importância de respostas específicas nos setores sociais, como educação e saúde. No entanto, as ações tomadas para o desenvolvimento nesses setores devem ir além da construção de infra-estrutura: precisam informar os cidadãos da existência desses serviços e do seu direito de usá-los. Também foram mencionados novos aspectos do desenvolvimento e sustentabilidade, como a mudança climática. Ao fazê-lo, Paula Barros deixou claro que o conceito de desenvolvimento africano não deve ser restringido unicamente ao domínio da economia, mas também deve abranger outras disciplinas. Paula Barros também enfatizou o papel das empresas, particularmente no setor manufatureiro, em agregar valor aos recursos naturais da África.

A próxima discussão foi liderada por Patrícia Maridalho, porta-voz da ONG VIDA. Trouxe para a discussão uma visão em pequena escala do que é considerado crucial para o desenvolvimento. Para a VIDA, a resposta para o desenvolvimento começa em cada indivíduo, depois na sua família, na sua comunidade e, finalmente, na sua região. O treinamento e a capacitação de cada indivíduo é, portanto, o caminho a seguir para o desenvolvimento africano. Ela enfatizou que este plano só produziria resultados no médio a longo prazo, enquanto isso seria necessário um trabalho de campo diário persistente. O trabalho conjunto que está a ser realizado com o NOVAFRICA também foi mencionado como uma oportunidade para quantificar o impacto de alguns dos projetos desenvolvidos pela VIDA na Guiné-Bissau e Moçambique.

Por fim, Pedro Vicente, diretor científico do NOVAFRICA e professor da Nova SBE, destacou o papel do capital humano e físico, bem como a boa governança como veículos para o desenvolvimento. O papel crucial da responsabilidade política que conecta as políticas públicas existentes com a população também foi mencionado. O Prof. Vicente falou sobre algumas das avaliações de impacto realizadas pelo NOVAFRICA que procuram fornecer uma maneira quantitativa e precisa de compreender não apenas o impacto que os projetos de desenvolvimento têm sobre os indivíduos, mas também o mecanismo através do qual esse impacto ocorre. Finalmente, alguns desafios foram emitidos para o público. Tais desafios incluíram a criação de programas de intercâmbio com a África que permitiriam que os trabalhadores estrangeiros se juntassem às agências governamentais como forma de promover a interação e a experiência entre os indivíduos no nível de tomada de decisão.

 

Escrito por Matilde Grácio, estudante de doutorado da Nova SBE